Situação clínica · adulto · fonte oficial

Retocolite ulcerativa no adulto: gravidade pelos critérios de Truelove e Witts, mesalazina, azatioprina e biológicos

Conferido em 10 de outubro de 2026 · Ministério da Saúde, SAES e SECTICS, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 9, de 12 de setembro de 2024

Classificação da crise em leve, moderada e grave, a escolha na pancolite leve a moderada e na doença moderada a grave, doses de mesalazina, sulfassalazina, prednisona, azatioprina (2,0 a 2,5 mg/kg), infliximabe (5 mg/kg), tofacitinibe e vedolizumabe, segundo o PCDT de 2024.

A página trata do adulto com retocolite ulcerativa e dos medicamentos incorporados ao SUS; doses pediátricas, gestação e cirurgia ficam em grande parte fora. Este resumo não substitui o protocolo da sua instituição; cada trecho abaixo é do PCDT, conferido em código.

Em 30 segundos

  • Crise leve: menos de 3 evacuações por dia; moderada: mais de 4; grave: mais de 6 com sangue e sinais sistêmicos, e megacólon tóxico é grave
  • Pancolite leve a moderada: sulfassalazina ou mesalazina por via oral; falha da indução leva a corticoide, sem trocar entre os dois
  • Dependência de corticoide: azatioprina 2,0 a 2,5 mg/kg por dia; sem resposta após 12 semanas, biológico (infliximabe, vedolizumabe) ou tofacitinibe
  • Infliximabe 5 mg/kg nas semanas 0, 2 e 6 e depois a cada 8, podendo chegar a 10 mg/kg; contraindicado com tuberculose ativa ou latente

Gravidade da crise (Truelove e Witts)

  • Leve
    Leve: menos de 3 evacuações por dia, com ou sem sangue, sem comprometimento sistêmico e com velocidade de sedimentação globular (VSG) normal
  • Moderada
    Moderada: mais de 4 evacuações por dia com mínimo comprometimento sistêmico; e
  • Grave
    Grave: mais de 6 evacuações por dia com sangue e com evidência de comprometimentos sistêmicos, tais como febre, taquicardia, anemia e VSG acima de 30.
  • Megacólon tóxico
    Casos com suspeita de megacólon tóxico também devem ser considerados graves.

Pancolite leve a moderada e moderada a grave

  • Primeira linha
    Inicia-se com sulfassalazina ou mesalazina por via oral, conforme o respectivo esquema de administração
  • Eventos adversos da sulfassalazina
    Os pacientes que desenvolverem eventos adversos ao uso de sulfassalazina, como reações alérgicas, discrasias sanguíneas, hepatite, pancreatite, dor abdominal de forte intensidade ou algum outro evento adverso grave, devem utilizar mesalazina.
  • Falha da indução
    Em caso de falha de indução com sulfassalazina ou mesalazina, não há benefício da troca entre elas. Nestes casos, preconiza-se o uso de corticoide
  • Prednisona nos casos moderados
    Nos casos moderados, alternativamente, pode ser usada prednisona na dose de 40 a 60 mg (0,75 a 1 mg/kg/dia não excedendo a dose máxima diária de 60 mg), por via oral
  • Quando entra a azatioprina
    Deve-se iniciar o uso de azatioprina 2 a 2,5 mg/kg/dia
  • Moderada a grave
    Os pacientes com quadro moderado a grave devem ser tratados inicialmente com corticoide por via oral e aminossalicilato.
  • Falha do imunossupressor
    Naqueles casos de falha do imunossupressor, caracterizada por dependência de corticoide apesar de dose adequada de azatioprina por um tempo mínimo de 12 semanas
  • Biológicos
    Deve ser considerado o uso de terapia imunobiológica com anti-TNF alfa (infliximabe) ou anti-integrina (vedolizumabe) ou inibidores da JAK (tofacitinibe).

Doses no adulto (Esquemas de administração)

  • Azatioprina
    Azatioprina: 2,0 a 2,5 mg/kg/dia. Iniciar com dose de 50 mg até reavaliação com exames.
  • Ciclosporina
    Ciclosporina: 2 mg/kg/dia em infusão contínua durante 7 dias.
  • Hidrocortisona
    Administrar 100 mg intravenoso de 6/6h ou de 8/8h.
  • Infliximabe
    Infusão intravenosa de 5 mg/kg, administrada por um período mínimo de 2 horas, seguida por doses de infusões adicionais de 5 mg/kg nas semanas 2 e 6 após a primeira infusão e, depois, a cada 8 semanas.
  • Infliximabe: ajuste
    Para pacientes adultos que apresentarem resposta incompleta ou perda de resposta, deve-se considerar o ajuste da dose para até 10 mg/kg.
  • Mesalazina em comprimidos
    Mesalazina (via oral): comprimidos: 2 g a 4,8 g ao dia, divididas em 2 ou 3 vezes ao dia (de 12/12h ou de 8/8h).
  • Prednisona
    Dose inicial de 40 a 60 mg (0,75 a 1 mg/kg/dia não excedendo 60 mg/dia), por via oral
  • Evitar o uso crônico de prednisona
    Evitar o uso crônico, independentemente da dose.
  • Sulfassalazina
    Sulfassalazina: 2 g a 4 g ao dia, divididas em 2 administrações ao dia (de 12/12h).
  • Sulfassalazina e ácido fólico
    Pacientes em uso de sulfassalazina devem repor ácido fólico 5 mg, 3 vezes por semana.
  • Tofacitinibe
    A dose preconizada para pacientes adultos é de 10 mg via oral duas vezes por dia para indução por, pelo menos, 8 semanas e 5 mg administradas duas vezes ao dia para manutenção.
  • Vedolizumabe
    Vedolizumabe: 300 mg, administrado por infusão intravenosa nas semanas 0, 2 e 6 e, depois, a cada 8 semanas.
  • Contraindicação de infliximabe e vedolizumabe
    O vedolizumabe e o infliximabe são contraindicados em caso de hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes e para pacientes com infecções graves, tais como tuberculose ativa ou latente

Azatioprina, ciclosporina e infliximabe por quilo

Calculadora

Cálculo direto das doses em mg/kg do protocolo. A azatioprina começa com 50 mg até reavaliação com exames e só então sobe à dose alvo; o frasco de infliximabe tem 100 mg: arredonde conforme o protocolo da sua instituição.

Evidência por trás das condutas

Este documento não gradua as recomendações. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Retocolite Ulcerativa (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 9, de 12 de setembro de 2024) traz as condutas do Ministério da Saúde, SAES e SECTICS, mas não publica a força da recomendação nem a certeza da evidência de cada uma. Mostramos o que a fonte diz, sem inventar um nível.

O protocolo não gradua cada recomendação com força e certeza GRADE: tratar como orientação do Ministério da Saúde. Vigência verificada em 10/10/2026: a Portaria Conjunta nº 9/2024 é a mais recente localizada (um documento estadual de agosto de 2026 ainda a cita). Os intervalos dos critérios de gravidade deixam lacunas (por exemplo, de 3 a 4 evacuações por dia) e a página reproduz o texto como está. A proctite e a colite esquerda ficaram de fora.

Veja também

Doses dos medicamentos citados:

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Fonte

  1. [1] Ministério da Saúde, SAES e SECTICS — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Retocolite Ulcerativa (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 9, de 12 de setembro de 2024) (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 9, de 12 de setembro de 2024) · Fonte governamental

Douto não substitui a bula, o protocolo da instituição nem o julgamento clínico. Informação de apoio para profissionais de saúde.