Anafilaxia no adulto: adrenalina intramuscular primeiro, e o que vem depois
Conferido em 10 de outubro de 2026 · Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização nº 6, de 31 de maio de 2021
Como reconhecer a anafilaxia, a dose de adrenalina intramuscular do adulto (0,2 a 0,5 mg, repetida a cada 5 a 15 minutos), expansão de volume, broncoespasmo, o papel de anti-histamínicos e corticoides, o paciente em beta-bloqueador e o tempo de observação.
Na suspeita de anafilaxia, a adrenalina intramuscular não espera exame nem anti-histamínico. Este resumo não substitui o protocolo da sua instituição; cada trecho abaixo é do guia, conferido em código. A fonte é de uma sociedade pediátrica e traz as doses de adultos e adolescentes em tabela própria.
Em 30 segundos
- Adrenalina intramuscular é a droga de primeira linha: 0,2 a 0,5 mg na face ântero-lateral da coxa, repetindo a cada 5 a 15 minutos se necessário
- Expansão de volume de 1 a 2 litros, oxigênio e salbutamol para o broncoespasmo, conforme o quadro
- Anti-histamínicos e corticoides são de segunda linha e não substituem a adrenalina
- Observação de 6 a 8 horas nos casos leves e de 24 a 48 horas nos graves; reação bifásica em até 10%
Reconhecer
- Critério 1: pele ou mucosa mais um sistema
Início agudo de uma doença (minutos a algumas horas) com envolvimento simultâneo da pele, do tecido mucoso ou de ambos (por exemplo, urticária generalizada, prurido ou rubor, inchaço dos lábios-língua-úvula)
- Critério 2: sem pele
Início agudo de hipotensão ou broncoespasmo ou envolvimento laríngeo após exposição a um alérgeno conhecido ou altamente provável para aquele paciente (minutos a algumas horas), mesmo na ausência de envolvimento cutâneo típico.
- Hipotensão no adulto
Adultos e crianças com mais de 10 anos: PA sistólica menor que <90 mmHg.
- Reação bifásica
Reações bifásicas podem ocorrer de 8 a 12 horas em até 10% dos casos.
Adrenalina primeiro
- Primeira linha
A adrenalina é considerada a droga de primeira linha para seu tratamento, e sua prescrição precoce é essencial para reversão do quadro e salvar a vida do paciente.
- Dose do adulto
Adultos/Adolescentes: 0,2-0,5mg (dose máxima) IM na face ântero-lateral da coxa.
- Repetir
E repetir se necessário a cada 5-15 minutos.
- Posição
Manter posição adequada (decúbito dorsal com MMII elevados).
- Não levantar o paciente
Levantar-se ou sentar-se subitamente estão associados a desfechos fatais (“síndrome do ventrículo vazio”).
- Via venosa só em situações graves
Adrenalina em diluições de 1:10.000 ou 1:100.000 somente devem ser administradas via IV nos casos de parada cardiorrespiratória ou hipotensão profunda que não respondeu à expansão de volume ou múltiplas injeções de epinefrina IM.
Suporte e broncoespasmo
- Expansão de volume
Adultos/Adolescentes: 1-2 litros rapidamente IV
- Ritmo da infusão
Taxa de infusão é regulada pelo pulso e pressão arterial.
- Oxigênio
Manter saturação de O2. Se Sat O2< 95%, há necessidade de mais de uma dose de adrenalina
- Salbutamol inalatório
Adultos/Adolescentes 4-8 jatos, a cada 20 minutos,dose máxima 20 jatos
- Beta-2 por nebulização
Adultos/Adolescentes 2,5-5,0mg, a cada 20 minutos, por 3 doses
Segunda linha: anti-histamínico e corticoide
- Anti-H1 (prometazina ou difenidramina)
Adultos/Adolescentes: 25-50 mg IV
- Papel dos anti-histamínicos
Os antihistamínicos devem ser considerados agentes de segunda linha
- Papel dos corticoides
Os corticosteroides, quer por via oral ou parenteral são tradicionalmente administrados, porém têm pouca ou nenhuma ação no tratamento agudo da anafilaxia.
Quando a resposta pode falhar
- Beta-bloqueador
Paciente em uso de beta-bloqueador pode necessitar de doses maiores de adrenalina para o mesmo efeito. Nestes casos, o ideal é utilizar glucagon: 5-15 µg/minuto IV (infusão contínua).
- Asma mal controlada
Indivíduos com asma mal controlada têm maior risco de reações fatais.
- Hipotensão e resposta
Quanto mais a hipotensão se agrava na evolução da reação, menor será a resposta ao tratamento com adrenalina.
- Reações sem reversão
Mesmo com a administração rápida de adrenalina, até 10% das reações podem não ser revertidas.
Observação e alta
- Tempo de observação
Observação clínica: casos leves - mínimo de 6 a 8hs; casos graves, 24 a 48 hs.
- Encaminhamento
Todos os pacientes com reações anafiláticas devem ser encaminhados ao especialista em alergia, para investigação etiológica, avaliação de riscos, prevenção de novos episódios e tratamento de comorbidades.
- Auto-injetor
Estes dispositivos são disponibilizados em doses fixas (0,1 mg para lactentes, 0,15 mg crianças até 30 Kg; 0,3 mg para crianças maiores/adultos)
Evidência por trás das condutas
Este documento não gradua as recomendações. O Anafilaxia: atualização 2021 (Guia Prático de Atualização, Sociedade Brasileira de Pediatria) traz as condutas do Sociedade Brasileira de Pediatria, mas não publica a força da recomendação nem a certeza da evidência de cada uma. Mostramos o que a fonte diz, sem inventar um nível.
O quadro do guia cita ranitidina como anti-H2; ela foi retirada do mercado brasileiro e por isso não aparece nesta página. O guia também não gradua as recomendações: tratá-las como orientação de sociedade médica, não como força e certeza GRADE.
Veja também
Outras situações:
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Fonte
- [1] Sociedade Brasileira de Pediatria — Anafilaxia: atualização 2021 (Guia Prático de Atualização, Sociedade Brasileira de Pediatria) (Guia Prático de Atualização nº 6, de 31 de maio de 2021) · Fonte governamental
Douto não substitui a bula, o protocolo da instituição nem o julgamento clínico. Informação de apoio para profissionais de saúde.