Dengue no adulto: classificação de risco A a D, hidratação pelo peso e o que dar para a febre
Conferido em 10 de outubro de 2026 · Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, 6ª edição, Brasília, 2024
Como classificar o adulto com dengue nos Grupos A, B, C e D, o volume de hidratação oral (60 mL/kg/dia), a reposição venosa dos grupos C e D por quilo, os antitérmicos permitidos e o que evitar.
Dengue é de notificação obrigatória e o estadiamento muda ao longo da doença: reclassifique a cada reavaliação. Este resumo não substitui o protocolo da sua instituição; cada trecho abaixo é do manual do Ministério da Saúde, conferido em código. Esta página trata do adulto.
Em 30 segundos
- Classificar em A, B, C ou D a cada reavaliação: sinais de alarme levam ao Grupo C e choque ou sangramento grave, ao Grupo D
- Grupos A e B: hidratação oral de 60 mL/kg/dia, 1/3 com SRO; paracetamol ou dipirona; sem AINE, salicilato nem corticoide
- Grupo C: 10 mL/kg de soro fisiológico na primeira hora, sem esperar exames, e reavaliar; Grupo D: 20 mL/kg em até 20 minutos
- Idoso, cardiopata e renal: ajustar o volume caso a caso e vigiar edema pulmonar
Reconhecer e classificar o risco
- Caso suspeito
Relato de febre, usualmente entre dois e sete dias de duração, e duas ou mais das seguintes manifestações: náusea, vômitos; exantema; mialgia, artralgia; cefaleia, dor retro-orbital; petéquias; prova do laço positiva e leucopenia.
- Notificação
NOTIFICAR TODO CASO SUSPEITO DE DENGUE
- Grupo A
Dengue sem sinais de alarme, sem condição especial, sem risco social e sem comorbidades.
- Grupo B
Dengue sem sinais de alarme, com condição especial, ou com risco social e com comorbidades.
- Grupo C: sinais de alarme
Presença de algum sinal de alarme: dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico); hipotensão postural e/ou lipotímia
- Grupo C: sinais de alarme (cont.)
Sangramento de mucosa; letargia e/ou irritabilidade; aumento progressivo do hematócrito.
- Grupo D: choque
Extravasamento grave de plasma, levando ao choque evidenciado por taquicardia; extremidades distais frias; pulso fraco e filiforme; enchimento capilar lento (>2 segundos); pressão arterial convergente (<20 mmHg)
- O grupo muda
O paciente, durante a evolução da doença, pode passar de um grupo a outro em curto período.
Grupos A e B: hidratação oral e acompanhamento
- Volume diário do adulto
60 mL/kg/dia, sendo 1/3 com sais de reidratação oral (SRO) e com volume maior no início.
- O restante
Para os 2/3 restantes, orientar a ingestão de líquidos caseiros (água, suco de frutas, soro caseiro, chás, água de coco etc.).
- Exemplo do manual
Para um adulto de 70 kg, orientar a ingestão de 60 mL/kg/dia, totalizando 4,2 litros/dia.
- Duração
Manter a hidratação durante todo o período febril e por até 24 a 48 horas, após a defervescência da febre.
- Idosos e comorbidades
Pacientes idosos ou na presença de comorbidades, como as cardiopatias e insuficiência renal, precisam adequar os volumes de hidratação caso a caso, evitando sobrecargas de volume.
- Antitérmico
Prescrever paracetamol e/ou dipirona, conforme orientações do Apêndice H.
- O que evitar
Não utilizar salicilatos ou anti-inflamatórios não esteroides e corticosteroides.
- Retorno
Agendar o retorno para reavaliação clínica no dia de melhora da febre, em função do possível início da fase crítica.
- Grupo B: exame
Hemograma completo é obrigatório para todos os pacientes.
- Grupo B: se piorar
Hemoconcentração ou surgimento de sinais de alarme: conduzir o paciente como Grupo C.
Hidratação oral diária pelo peso
CalculadoraCálculo direto da regra do manual (60 mL/kg/dia, 1/3 com SRO e o restante com líquidos caseiros). Para 70 kg dá 4,2 litros por dia, como no exemplo do manual. Em idoso, cardiopata ou renal, ajuste o volume caso a caso.
Antitérmicos do adulto
- Dipirona (adultos)
20 gotas ou 1 comprimido (500 mg) até de 6/6 horas.
- Paracetamol (adultos)
40 gotas ou 1 comprimido (500 mg) de 4/4 horas, podendo ser 60 gotas ou 2 comprimidos (500 mg) até de 6/6 horas (não exceder a dose de 4 g no período de 24 horas).
- Hepatotoxicidade
Não utilizar doses maiores que a recomendada, considerando que doses elevadas são hepatotóxicas.
Grupo C: sinais de alarme
- Primeira hora
Reposição volêmica: 10 mL/kg de soro fisiológico a 0,9% na primeira hora
- Segunda hora
Manter a hidratação de 10 mL/kg/hora na segunda hora até a avaliação do hematócrito, que deverá ocorrer em duas horas após a etapa de reposição volêmica.
- Teto da fase
O total máximo de cada fase de expansão é de 20 mL/kg em duas horas, para garantir administração gradativa e monitorada.
- Reavaliação
Proceder à reavaliação clínica após a primeira hora, considerando os sinais vitais, PA, e avaliar diurese (desejável 1 mL/kg/h).
- Sem melhora
Repetir a fase de expansão até três vezes.
- Manutenção: primeira fase
Primeira fase: 25 mL/kg em 6 horas – se houver melhora, iniciar segunda fase
- Manutenção: segunda fase
Segunda fase: 25 mL/kg em 8 horas com soro fisiológico.
- Internação
Pacientes devem permanecer em acompanhamento em leito de internação até estabilização (mínimo 48 horas).
- Se não melhorar
Se não houver melhora clínica e laboratorial, conduzir como Grupo D.
- Exames obrigatórios
Obrigatórios: hemograma completo, dosagem de albumina sérica e transaminases.
Reposição venosa pelo peso (Grupos C e D)
CalculadoraCálculo direto das regras do manual, sem arredondar além do mililitro. A manutenção do Grupo C só começa se houver melhora clínica e do hematócrito após a expansão. Em idoso, cardiopata ou renal, acompanhe de perto o risco de sobrecarga.
Grupo D: dengue grave
- Expansão rápida
Iniciar imediatamente a fase de expansão rápida parenteral com soro fisiológico a 0,9% (20 mL/kg em até 20 minutos)
- Repetir
Repetir fase de expansão até três vezes.
- Reavaliação
Reavaliação clínica a cada 15 a 30 minutos e de hematócrito a cada 2 horas.
- UTI
Esses pacientes devem permanecer em acompanhamento em leito de UTI até estabilização (mínimo de 48 horas)
- Idosos: risco de sobrecarga
A hidratação deve ser minuciosamente acompanhada, na busca de sinais de edema pulmonar (crepitação à ausculta).
Evidência por trás das condutas
Este documento não gradua as recomendações. O Dengue: diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança (6ª edição) traz as condutas do Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, mas não publica a força da recomendação nem a certeza da evidência de cada uma. Mostramos o que a fonte diz, sem inventar um nível.
O manual não gradua as recomendações: tratá-las como orientação do Ministério da Saúde, não como força e certeza GRADE. O Apêndice H equipara 40 gotas de paracetamol a um comprimido de 500 mg, mas a solução é de 200 mg/mL (1 mL = 20 gotas), o que dá 400 mg em 40 gotas: confira a apresentação que você prescreve. Para cardiopatas, gestantes e quem usa antiagregantes ou anticoagulantes, o manual tem capítulos próprios que esta página não resume.
Veja também
Outras situações:
- Malária por Plasmodium vivax: o esquema pela atividade de G6PD e quem não pode usar tafenoquina ou primaquina
- Influenza no adulto: quando tratar e dose de oseltamivir com ajuste renal
Doses dos medicamentos citados:
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Fonte
- [1] Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente — Dengue: diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança (6ª edição) (6ª edição, Brasília, 2024) · Fonte governamental
Douto não substitui a bula, o protocolo da instituição nem o julgamento clínico. Informação de apoio para profissionais de saúde.