Situação clínica · adulto · fonte oficial

Hepatite C no adulto: tratamento sem genotipagem, escore APRI e sofosbuvir com velpatasvir

Conferido em 10 de outubro de 2026 · Ministério da Saúde e Conitec, Atualização decidida pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026

Tratamento inicial pelo escore APRI e pela cirrose (sofosbuvir com daclatasvir ou com velpatasvir por 12 semanas, 24 na cirrose descompensada), faixas do APRI e do FIB-4, resposta virológica sustentada, reinfecção e retratamento, segundo o PCDT atualizado em 2026.

A página trata do adulto (e do adolescente de 12 anos ou mais, ou 30 kg ou mais) com hepatite C crônica e sem tratamento prévio com antiviral de ação direta. A hepatite C aguda, a coinfecção, o transplante e a criança de 3 a 11 anos têm seção própria no protocolo. Este resumo não substitui o protocolo da sua instituição; cada trecho abaixo é do documento, conferido em código.

Em 30 segundos

  • Sem genotipagem: os esquemas são pangenotípicos; tratamento pelo APRI e pela cirrose
  • APRI abaixo de 1 e sem cirrose: sofosbuvir com daclatasvir por 12 semanas; APRI de 1 ou mais ou cirrose compensada: sofosbuvir com velpatasvir por 12 semanas
  • Cirrose descompensada (Child B ou C): sofosbuvir com velpatasvir por 24 semanas
  • Resposta virológica sustentada = carga viral indetectável 12 semanas depois do fim; HCV-RNA detectável depois disso é reinfecção e trata-se como início

O que mudou nesta versão

  • Sem genotipagem
    Atualização da linha de cuidado da hepatite C, deixando de recomendar a realização do exame de genotipagem do HCV
  • Só pangenotípicos
    Exclusão dos medicamentos não pangenotípicos para tratamento da hepatite C (elbasvir 50 mg/grazoprevir 100 mg e ledipasvir 90 mg/sofosbuvir 400 mg)
  • APRI no início
    Inclusão do escore APRI como critério para prescrição de tratamento inicial para hepatite C
  • Sem interferon
    Deixando de recomendar o tratamento da hepatite C à base de alfapeginterferona 2a e ribavirina

Estadiar a fibrose

  • APRI: pontos de corte
    APRI – Avaliação de cirrose hepática Resultado < 1,0 1,0 – 1,49 ≥ 2,0
  • APRI abaixo de 1,0
    Baixa probabilidade de cirrose (F4)
  • FIB-4 de baixo risco
    Resultado < 1,45 1,45 – 3,24 ≥ 3,25 Interpretação Baixa probabilidade de fibrose F2, F3 ou F4
  • Zona cinza
    Zona cinza – não determina, com acurácia, o estádio da fibrose hepática

FIB-4: probabilidade de fibrose avançada

Calculadora

Leitura direta do Quadro 8 do protocolo. O APRI tem classes próprias (abaixo de 1,0, de 1,0 a 1,49 e 2,0 ou mais), com uma lacuna entre 1,5 e 2,0 no texto.

Tratamento inicial ou reinfecção (Quadro 13)

  • Pelo menos 12 anos ou 30 kg
    Pacientes com pelo menos 12 anos ou com pelo menos 30 kg
  • APRI abaixo de 1, sem cirrose
    Escore APRI < 1 E sem cirrose Sofosbuvir + daclatasvir 1 comprimido de sofosbuvir + 1 comprimido de daclatasvir, 1x/dia 12 semanas
  • APRI de 1 ou mais, ou cirrose compensada
    Escore APRI ≥ 1 OU cirrose compensada (Child A) Sofosbuvir/ velpatasvir 1 comprimido de sofosbuvir/ velpatasvir, 1x/dia 12 semanas
  • Cirrose descompensada
    Cirrose descompensada (Child B ou C) Sofosbuvir/ velpatasvir 1 comprimido de sofosbuvir/ velpatasvir, 1x/dia 24 semanas
  • Apresentação do sofosbuvir com velpatasvir
    Sofosbuvir 400 mg/velpatasvir 100 mg 1 comprimido uma vez ao dia (dose fixa combinada), por via oral
  • Daclatasvir
    Sofosbuvir 400 mg + daclatasvir 60 mg 1 comprimido de sofosbuvir e 1 comprimido de daclatasvir, por via oral, uma vez ao dia tomados juntos

Esquema inicial pelo APRI (sem cirrose)

Calculadora

Leitura direta do Quadro 13 do protocolo. A cirrose compensada (Child A) também leva ao sofosbuvir com velpatasvir por 12 semanas, qualquer que seja o APRI.

Resposta e reinfecção

  • Resposta virológica sustentada
    O parâmetro utilizado para avaliar a resposta e o sucesso terapêutico é a RVS, caracterizada pela quantificação da carga viral do HCV-RNA a partir de 12 semanas após o término do tratamento.
  • Reinfecção
    A detectabilidade do HCV-RNA após a RVS caracteriza reinfecção e, nesses casos, os pacientes devem ser tratados novamente com o esquema de tratamento inicial

Retratamento após falha dos antivirais

  • Sem genotipagem
    Portanto, não há necessidade de genotipagem para o retratamento.
  • Três classes de antivirais
    Recomenda-se que sejam utilizados esquemas que associem três classes distintas de DAA, com exceção das pessoas com cirrose descompensada.
  • Cirrose Child B ou C
    Pessoas com cirrose Child B ou C devem ser tratadas com o esquema de sofosbuvir/velpatasvir por 24 semanas, devendo-se evitar os inibidores de protease, como o glecaprevir e o voxilaprevir.
  • Esquema de retratamento
    Escore APRI < 1 OU sem cirrose SOF/VEL/VOX 1 comprimido de SOF/VEL/VOX, 1x/dia 12 semanas
  • Falhas múltiplas
    Paciente com histórico de múltiplas falhas, ou seja, sem RVS após retratamento com sofosbuvir/velpatasvir/voxilaprevir (SOF/VEL/VOX) ou sofosbuvir+glecaprevir/pibrentasvir (SOF+GLE/PIB) podem ter o tempo de tratamento estendido para 24 semanas.

Evidência por trás das condutas

Este documento não gradua as recomendações. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite C e Coinfecções, no Relatório de Recomendação nº 1110 da Conitec (junho de 2026) traz as condutas do Ministério da Saúde e Conitec, mas não publica a força da recomendação nem a certeza da evidência de cada uma. Mostramos o que a fonte diz, sem inventar um nível.

O documento não gradua as recomendações com força e certeza GRADE: tratar como orientação do Ministério da Saúde. Vigência verificada em 10/10/2026: a Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20/07/2026, tornou pública a decisão de atualizar o PCDT e revogou a nº 84/2018. O texto usado aqui é o do relatório de recomendação da Conitec (junho de 2026), que traz o protocolo; confira o PDF do protocolo no site do Ministério antes de fixar condutas. Os esquemas de crianças, as populações especiais e as interações não foram transcritos.

Veja também

Outras situações:

Doses dos medicamentos citados:

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Fonte

  1. [1] Ministério da Saúde e Conitec — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite C e Coinfecções, no Relatório de Recomendação nº 1110 da Conitec (junho de 2026) (Atualização decidida pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026) · Fonte governamental

Douto não substitui a bula, o protocolo da instituição nem o julgamento clínico. Informação de apoio para profissionais de saúde.