HIV no adulto: quando iniciar a terapia antirretroviral, esquema inicial e seguimento
Conferido em 10 de outubro de 2026 · Ministério da Saúde, Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Módulo I, edição de 2024 (Brasília, DF)
Início da Tarv no mesmo dia ou em até 7 dias, o esquema preferencial (tenofovir, lamivudina e dolutegravir), as trocas por intolerância, a coinfecção com tuberculose (dolutegravir 50 mg de 12 em 12 horas) e a periodicidade de carga viral e CD4, segundo o PCDT de 2024.
A página trata do adulto vivendo com HIV que ainda não usou antirretroviral (primeira linha). Resistência, falha, gestação e infecções oportunistas têm conduta própria no protocolo. Este resumo não substitui o protocolo da sua instituição; cada trecho abaixo é do PCDT, conferido em código.
Em 30 segundos
- Iniciar a Tarv para todos, no mesmo dia ou em até 7 dias do diagnóstico, sem esperar CD4 nem carga viral; adiar só com suspeita de meningite tuberculosa ou criptocócica
- Preferencial: tenofovir com lamivudina e dolutegravir, em dose única diária; tenofovir contraindicado com TFGe abaixo de 60 mL/min
- Sem dolutegravir: darunavir/r (800/100 mg) ou efavirenz; sem tenofovir: abacavir (HLA-B*5701 negativo) ou zidovudina
- Com tuberculose: dolutegravir 50 mg de 12 em 12 horas, mantido em dobro por 15 dias após o fim do tratamento da tuberculose
Quando iniciar
- Para todos, independentemente do CD4
A recomendação da Tarv para todas as pessoas vivendo com HIV ou aids, independentemente do CD4, está associada a diversos benefícios
- Prazo
A Tarv deve ser iniciada no mesmo dia ou em até 7 (sete) dias após o diagnóstico da infecção pelo HIV.
- Profissionais: sem esperar CD4 nem carga viral
Devem também ter segurança em iniciar a Tarv mesmo antes dos resultados de CD4 e carga viral.
- Quando adiar
Com sinais e sintomas de comprometimento do sistema nervoso central, e na suspeita de infecções oportunistas, como meningite tuberculosa e meningite criptocócica, o início da Tarv deve ser postergado.
Esquema inicial (Quadro 5)
- Composição
O esquema inicial para o tratamento da infecção pelo HIV deve incluir três medicamentos ARV, sendo dois inibidores da transcriptase reversa análogos de núcleos(t)ídeos (ITRN) e um terceiro de outra classe
- Dose única diária
O esquema deve ser administrado em dose única diária.
- Esquema preferencial
Esquema preferencial tenofovir(a) /lamivudina + dolutegravir
- Sem dolutegravir
Substituir dolutegravir por darunavir/r(b) ou efavirenz(c)
- Darunavir/r
Darunavir/r: dose única diária de 800 mg de darunavir associado a 100 mg de ritonavir.
- Sem tenofovir
Substituir tenofovir por abacavir(e) , em caso de teste HLA-B*5701 negativo, ou por zidovudina
- Tenofovir e função renal
O tenofovir é contraindicado em pessoas com doença renal pré-existente, disfunção renal aguda ou taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) inferior a 60 mL/minuto.
- Efavirenz
Como o risco de resistência transmitida a efavirenz é relevante no Brasil
- Abacavir com carga viral alta
A associação abacavir + lamivudina + efavirenz é contraindicada se a carga viral estiver acima de 100.000 cópias/mL.
- Hepatite B
Deve-se substituir o tenofovir por outro fármaco ativo contra o HBV (tenofovir alafenamida ou entecavir)
Tenofovir pela filtração glomerular estimada
CalculadoraLeitura direta da nota do Quadro 5 do protocolo. Com tenofovir já em uso na coinfecção TB-HIV, o protocolo manda ajustar a dose quando a TFGe estiver abaixo de 50 mL/min.
Tuberculose junto com HIV
- Preferencial
Preferencial Tenofovir 300 mg(a) / lamivudina 300 mg (“2 em 1”) 1x/dia + Dolutegravir 50 mg 12/12h
- Depois da tuberculose
Após o término do tratamento para tuberculose, a dose dobrada de dolutegravir deve ser mantida por 15 dias.
- Alternativo
Alternativo Tenofovir 300 mg(a) / lamivudina 300 mg / efavirenz 600 mg(b) (“3 em 1”) 1x/dia
- Genotipagem pré-tratamento indicada na coinfecção TB-HIV
Pessoas com coinfecção TB-HIV.
Seguimento
- Carga viral após o início
Início da Tarv ou modificação de Tarv por falha virológica Após 8 semanas do início da Tarv ou de novo esquema
- Carga viral em supressão
PVHA em supressão viral, com estabilidade clínica e imunológica A cada 6 meses
- Falha virológica
Caracterizada por dois exames sequenciais de carga viral detectável
- Confirmar a falha
Após 4 semanas da primeira carga viral detectável
- CD4 abaixo de 350
Abaixo de 350 células/mm³ A cada 6 meses
- CD4 dispensável
Para pessoas assintomáticas em Tarv, com carga viral indetectável e CD4 acima de 500 células/mm3 em dois exames consecutivos, a realização do CD4 para monitoramento não é mais necessária
Evidência por trás das condutas
Este documento não gradua as recomendações. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, Módulo I: Tratamento traz as condutas do Ministério da Saúde, Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, mas não publica a força da recomendação nem a certeza da evidência de cada uma. Mostramos o que a fonte diz, sem inventar um nível.
O protocolo não gradua as recomendações com força e certeza GRADE: tratar como orientação do Ministério da Saúde. Vigência verificada em 10/10/2026: a edição de 2024 do Módulo I é a mais recente localizada. Há uma incorporação em análise na Conitec (bictegravir com entricitabina e tenofovir alafenamida, relatório de 2025) cuja publicação não consegui confirmar; se ela mudar o esquema preferencial, esta página precisa ser revista. Os esquemas de resgate e de gestação ficaram fora.
Veja também
Outras situações:
- Tuberculose sensível no adulto: RHZE por faixa de peso, duração e formas especiais
- Sífilis adquirida no adulto: penicilina benzatina por estágio, intervalo entre doses e seguimento
- Hepatite C no adulto: tratamento sem genotipagem, escore APRI e sofosbuvir com velpatasvir
Doses dos medicamentos citados:
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Fonte
- [1] Ministério da Saúde, Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, Módulo I: Tratamento (Módulo I, edição de 2024 (Brasília, DF)) · Fonte governamental
Douto não substitui a bula, o protocolo da instituição nem o julgamento clínico. Informação de apoio para profissionais de saúde.