Situação clínica · adulto · fonte oficial

DPOC no adulto: grupos A, B e E, broncodilatadores no SUS, quando usar corticoide inalatório e a exacerbação

Conferido em 10 de outubro de 2026 · Ministério da Saúde, SAES e SCTIE, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025

Classificação da gravidade pelo VEF1 (GOLD 1 a 4), grupos A, B e E, tratamento inicial com LAMA e LABA, a regra dos eosinófilos para o corticoide inalatório, doses dos inalatórios e prednisona 40 mg na exacerbação, segundo o PCDT de 2025.

A página trata do adulto com DPOC estável e das exacerbações. Este resumo não substitui o protocolo da sua instituição; cada trecho abaixo é do PCDT, conferido em código.

Em 30 segundos

  • Espirometria com VEF1/CVF abaixo de 0,7 pós-broncodilatador confirma; o VEF1 define GOLD 1 a 4, e sintomas (mMRC, CAT) mais exacerbações definem os grupos A, B e E
  • Grupo A: broncodilatador conforme necessidade. Grupo B: LAMA + LABA contínuo. Grupo E: LAMA + LABA, e corticoide inalatório só com eosinófilos de 300 ou mais, ou de 100 a 300 com exacerbações
  • Evitar corticoide inalatório com eosinófilos abaixo de 100 ou histórico de pneumonia; nunca como monoterapia
  • Exacerbação: broncodilatador de curta ação, prednisona 40 mg por dia por 5 dias, antibiótico se adequado; internar com PaO₂ abaixo de 50 mmHg ou pH abaixo de 7,3

Diagnóstico e gravidade

  • Espirometria
    Espirometria: relação VEF1/CVF inferior a 0,7 pós- broncodilatador.
  • GOLD 1 e 2
    GOLD 1 (obstrução leve) VEF1 ≥ 80% do previsto GOLD 2 (obstrução moderada) 50% ≤ VEF1 < 80% do previsto
  • GOLD 3 e 4
    GOLD 3 (obstrução grave) 30% ≤ VEF1 < 50% do previsto GOLD 4 (obstrução muito grave) VEF1 < 30% do previsto
  • Grupo A
    Pouco sintomáticos quando o resultado do mMRC está entre 0 e 1 e/ou do CAT é menor que 10
  • Grupo B
    Muito sintomáticos quando o resultado do mMRC é igual ou maior a 2 e/ou do CAT é igual ou maior que 10
  • Grupo E
    Uma ou mais exacerbações graves (levando a hospitalização) OU duas ou mais exacerbações moderadas nos últimos 12 meses
  • Oximetria
    Se SpO2 for menor que 92%, é indicada a gasometria arterial para avaliar a gravidade da hipoxemia e a necessidade de oxigenoterapia

Classificação GOLD pelo VEF1 pós-broncodilatador

Calculadora

Leitura direta do Quadro 2 do protocolo; vale quando a relação VEF1/CVF pós-broncodilatador é menor que 0,7. A gravidade da obstrução nem sempre acompanha os sintomas: o grupo A, B ou E vem de mMRC, CAT e exacerbações.

Tratamento do paciente estável (Quadro 5)

  • Grupo A
    Broncodilatador de curta ou longa ação, conforme necessidade: - Considerar SAMA ou SABA para alívio imediato de sintomas; - Considerar LABA se sintomas frequentes, conforme avaliação clínica.
  • Grupo B
    Broncodilatação de longa ação contínua: - LAMA + LABA* em uso contínuo: brometo de umeclidínio + trifenatato de vilanterol
  • Grupo E: inicial
    Tratamento inicial preferencial: LAMA + LABA* em uso contínuo: - brometo de umeclidínio + trifenatato de vilanterol independentemente do grau de obstrução e perfil sintomático
  • Grupo E: GOLD 3 ou 4
    Tiotrópio monoidratado + cloridrato de olodaterol, quando grau de obstrução GOLD 3 ou 4 (VEF1 menor que 50%), com perfil exacerbador (Grupo E).
  • Quando acrescentar corticoide inalatório
    Tratamento com LAMA + LABA + ICS*, quando indicado ICS: - Contagem de eosinófilos ≥ 300 células/µL
  • Eosinófilos intermediários
    Exacerbações frequentes e contagem de eosinófilos entre ≥ 100 e < 300 células/µL, considerar ICS individualmente
  • Quando evitar corticoide inalatório
    Evitar ICS se: - Contagem de eosinófilos < 100 células/µL ou histórico de pneumonia.
  • Sem monoterapia com ICS
    Não se preconiza o uso isolado de corticoide inalatório (como monoterapia) na DPOC

Corticoide inalatório pelos eosinófilos (LAMA + LABA + ICS)

Calculadora

Leitura direta do Quadro 5 do protocolo (Grupo E). O histórico de pneumonia também é motivo para evitar o corticoide inalatório, qualquer que seja a contagem.

Doses dos inalatórios (Quadro 6)

  • Salbutamol de alívio
    200 a 400 mcg de sulfato de salbutamol (2 a 4 jatos do aerossol dosimétrico), em dose única antes do esforço ou a cada 4 a 6 horas até melhora dos sintomas
  • Brometo de ipratrópio
    40 mcg (2 jatos do aerossol dosimétrico) de brometo de ipratrópio, por via inalatória, 3 a 4 vezes/dia. A dose máxima não deve exceder 240 mcg/dia
  • Formoterol
    Fumarato de formoterol: 12 a 24 mcg, 2 vezes/dia.
  • Umeclidínio com vilanterol
    Tem como dose recomendada 62,5 mcg + 25 mcg, uma vez ao dia, sempre no mesmo horário.
  • Tiotrópio com olodaterol
    A dose preconizada é de dois acionamentos consecutivos (totalizando 5 mcg + 5 mcg) por meio do inalador específico, uma vez ao dia
  • Corticoide inalatório
    A dose de corticoide inalatório preconizada é de 800 mcg/dia de budesonida ou beclometasona
  • Budesonida menor dose
    Uma dose menor de budesonida (400 mcg/dia) possa ser tão eficaz quanto a recomendada para a redução de exacerbações
  • Enxaguar a boca
    Recomenda-se lavar a boca (gargarejar e cuspir) após uso inalatório de corticoides.

Exacerbação

  • Primeiros passos
    Na sua avaliação inicial deverão ser identificadas as causas (infecciosas ou não infecciosas) e os sinais de gravidade, bem como deverá ser ajustado o esquema de broncodilatadores de curta ação
  • Nebulização de salbutamol
    A administração usual ocorre a cada 4 a 6 horas, mas, em exacerbações agudas, pode ser repetida a cada 20 minutos nas primeiras horas, sob monitoramento médico.
  • Corticoide oral
    Corticoide oral: Prednisona ou fosfato sódico de prednisolona: 40 mg/dia
  • Duração do corticoide
    Em caso de falha com esquema de 5 dias, verificada pela ausência de melhora de sintomas no quinto dia, especialmente em exacerbações graves, pode-se aumentar o tempo de uso para 10 a 14 dias
  • Corticoide intravenoso
    Succinato sódico de hidrocortisona por via intravenosa na dose de 200 mg a cada 6 horas, até ser possível a transição para a via oral
  • Internar se hipoxemia
    Agravamento de hipoxemia (PaO₂ < 50 mmHg)
  • Internar se acidose
    Agravamento da hipercapnia/acidose respiratória aguda (pH < 7,3)

Evidência por trás das condutas

Este documento não gradua as recomendações. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025) traz as condutas do Ministério da Saúde, SAES e SCTIE, mas não publica a força da recomendação nem a certeza da evidência de cada uma. Mostramos o que a fonte diz, sem inventar um nível.

O protocolo adapta a GOLD 2025 e não gradua as recomendações com força e certeza GRADE: tratar como orientação do Ministério da Saúde. Vigência verificada em 10/10/2026: a Portaria nº 29/2025 é a mais recente localizada. O protocolo registra que, em caso de falha do esquema de 5 dias de corticoide, o tempo pode subir para 10 a 14 dias.

Veja também

Outras situações:

Doses dos medicamentos citados:

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Fonte

  1. [1] Ministério da Saúde, SAES e SCTIE — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025) (Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025) · Fonte governamental

Douto não substitui a bula, o protocolo da instituição nem o julgamento clínico. Informação de apoio para profissionais de saúde.